28 de maio de 2010

Fascínio #2

Sei que dizem que a adrenalina causa taquicardia em situações de perigo. Mas esta foi uma situação perigosa. Perigosíssima! Na natureza, quando um macho e uma fêmea estão para se acasalar, sempre há o risco de brigas e mortes antes dou depois do acasalamento. Me desculpem esse termo, mas, apesar de parecer estranho, é natural. Quando nos apaixonamos, nosso instinto fala que devemos nos reproduzir. Com alguns ele grita, com outros sussurra. Neste momento ele estava berrando.

A primeira coisa que vi nele foi a camisa vermelha que eu havia lhe dado de presente. O que é óbvio, já que a cor vermelha chega primeiro aos nossos olhos que as outras cores. Quando o vi realmente, percebi que ele parecia longe... Só depois notei que era efeito do espelho. Me virei na direção dele e ele sorriu. Não foi um sorriso com dentes. Mas fora o sorriso mais lindo que já vi. Não sei exatamente se era um sorriso de alegria, inocência, de constrangimento ou... um sorriso apaixonado. Isso! Aquele fora um sorriso apaixonado!

Tudo isso, desde que ele entrou pela porta e deu aquele sorriso, se passaram apenas milésimos de segundos.

Não dissemos nada um ao outro. Alguém ligou o som e reduziu a intensidade da luz. Dançamos ao ritmo da música. Tango! Nessa dança, nós dois damos forma a todos os nossos desejos, isso pelo fato de que o tango é uma dança sensual, e ele consegue fazer isso como nenhum outro ritmo faz. Quando dançamos, parece que o resto do mundo desaparece. Nós nos entregamos tanto a esta dança que somos considerados os melhores da região. Algumas pessoas dizem que poderíamos concorrer a prêmios de melhores dançarinos internacionalmente, mas nós preferimos não ter que carregar todo esse abacaxi. Afinal temos os nossos trabalhos.

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