11 de junho de 2010

Além da vida

Eles dançavam, dançavam um olhando para o outro. Tinham discutido o dia todo e só agora conseguiram um pouco de paz. Ela estava radiante ao lado do homem que escolheu pra ser o seu homem. Ele ficava feliz sempre que à via sorrir e olhar para ele. A discussão era tola, mas eles sabiam como não deixam isso abalar o sentimento que tinham um com o outro. Faziam 5 anos de namoro e 1 ano de casados. Não sabiam ainda como tinham se suportado todos esses anos. Eram bem diferentes um do outro com apenas uma paixão em comum, a paixão pela vida. Parece ser algo bem vago, mas para os dois não. Tinham dividido histórias e momentos que possivelmente nenhum outro casal jamais pensariam em compartilhar. Ela era uma cientista com muito prestigio e ele era um mágico, fazia truques nas ruas de Londres ganhando dinheiro com isso. Foi em um desses truques que eles se conheceram. Ela sabia que tudo era pura ilusão e que nada era real, mas o coração dela bater mais forte ao toque dele, isso sim foi bem real pra ela. Saíram desde o primeiro dia e depois não conseguiam mais se desgrudar. Seriam suas almas gêmeas? Ao certo nunca saberiam, mas amor a primeira vista foi o que aconteceu. Dançando a luz da lua no meio de alguma praça em Paris ela relembrava toda a história dos dois, enquanto ele apenas desejava que o momento perdurasse. Ele deseja ela como nunca tinha desejado nenhuma outra mulher. Ela nunca havia amado outro homem como o amava. Ambos desejavam um futuro um ao lado do outro. Se completavam. Parecia surreal, tudo fora do tempo, que para eles, havia parado. Queriam a eternidade, mas não poderiam permanecer juntos.

Ele despertou do seu sonho, e colocou a mão esperando tocar a pele dela, mas não. Sentiu o frio dos lençóis. Ela tinha mesmo ido... Para algum lugar em que ele um dia iria. Ele queria voltar a sonhar e sentir o cheiro do perfume dela novamente. A dor da solidão nele era imensa. nunca houvera buraco maior que aquele no peito do pobre homem. Ele sentia falta de tudo. Sentia falta dela. Sentia falta do cheiro de canela de uma pele aveludada. Sentia falta da luz do sorriso da mulher perfeita, da voz doce de rouxinol dizendo que o amava, dos passeios pelo parque, das brigas bobas e das reconciliações quentes. Apenas o que ele queria era aquela mulher de volta. Foi em todos os lugares que havia ido com ela novamente. A cada lugar que ia, as lembranças dos momentos bons com ela cavavam mais o buraco fundo. Ele queria ir atrás dela, mas não podia...

Porque ele simplesmente se achava incapaz de correr atrás dela e de tudo o que ela agora representava. Tudo estava diferente e ele sabia que agora tudo o que tinha que fazer era esquecer a saudade, levantar da cama e se permitir lembrar dela apenas mais tarde. Ele não tinha noção do quanto tempo ele perdia quando resolvia pensar nela. Ela era tudo o que ele sempre desejara e se fora tão de repente que depois de tudo ele decidiu realmente por esquecer. Tinha voltado a trabalhar com a mágica que havia largado. Agora fazia shows cada vez mais perigosos, os seus desafios era o que lhe mantinha vivo. O principal desafio dele seria hoje, tentar sobreviver a uma batida e a uma explosão. Já tinha testado todos os equipamentos muitas vezes, mas o risco era gigante. Ele iria tomar um banho de gasolina antes da batida e então o carro explodiria. Ele podia sentir a adrenalina do no corpo só de imaginar que faltava pouco tempo para que aquilo acontecesse. Se permitiu ficar o dia todo acolhido em sua preparação sem pensar em nada. Ele teria muito trabalho depois. Depois... um depois que ele não teve. Quando estava saindo de casa, andando devagar pelas ruas afim de pegar um transporte para ir ao destino do show ele teve uma surpresa. Instantes depois de entrar no trem e se sentar, uma mulher se aproximou. Muito diferente de todas as que ele já havia conhecido, uma mulher que se dispôs a animá-lo. "Não se preocupe, ela está bem. Você à vera em breve." Se assustou ao ouvir a mulher dizer lhe algo assim, ele não a conhecia mas pelo olhar que ela tinha parecia o conhecer muito bem, então uma lágrima o escapou dos olhos. "É só o que eu quero, à ter nova..."

Ele não finalizou a frase, apenas deitou a cabeça no encosto do trem e foi lentamente fechando os olhos enquanto a mulher desaparecia. Ele tinha ido ao encontro de sua amada. Sentiria o perfume da sua pele novamente. Viveria a eternidade ao lado dela.


De Amanda R. Lima, com minha ilustre ( -.-' ) participação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário