2 de junho de 2010

Fascínio #3

Eu sou professora de artes em uma escola grande de São Paulo. Dar aulas para adolescentes não é fácil, mas eu gosto. Ele é ator. Trabalha com teatro, não gosta da TV (mas depois eu falo sobre isso), por isso não é tão conhecido. Nós nos conhecemos ali na escola de dança. Ele já fazia aulas quando comecei.

Sempre que dançávamos assim, todos paravam para nos ver. Mas parecia que, naquele dia, os outros alunos esperavam algo a mais. E tinha mesmo algo a mais.

Pra finalizar a “apresentação”, ele me deu aquele beijo que só ele sabe dar. Claro que eu morri de vergonha. Não gostava de beijá-lo daquele jeito em público e ele sabia disso. Depois, enquanto ele me olhava, todos esperavam que alguém falasse alguma coisa. Então eu disse para o professor que poderia começar a aula. Meu lindo, vendo que eu voltava para meu lugar, riu de mim, o que me deixou mais constrangida, disse:

    • Não vamos assistir a aula hoje.

    • Porque não?

    • Vamos sair de viajem daqui oito horas e meia. Você precisa arrumar suas coisas. A não ser que você não queira mais visitar a Europa.

Todos, sem terem saído de seus lugares, riam comovidos. No meu íntimo eu pulava de alegria. Sempre quis conhecer a Europa. Especialmente Paris. Perguntei se a Cidade Luz estava no roteiro. E estava! Apesar de estar um pouco confusa pela viajem surpresa, saímos correndo da escola. Ao contrário do que pensei, ele me levou para passear no Ibirapuera. Eu perguntei se não tinha que arrumar minhas malas, informar a escola que dou aulas, mas ele já havia cuidado de tudo. “Então porque você me tirou da aula?”, perguntei. Ele disse que queria ficar comigo desde já. Ainda acredito que era o homem perfeito.

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